Modelos a Elástico

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Por que os aeromodelos movidos a elástico?

Ultimamente passei também a me interessar por modelos de voo livre com motor a elástico e exponho aqui boas razões para isso:

  1. Em primeiro lugar porque também é um voo silencioso.
  2. Esses modelos têm um estilo vintage e que para a maior parte dos aeromodelistas remete à infância, pois em geral, foi a partir de um modelo a elástico que boa parte dos entusiastas foram infectados pelo vírus desse incrível hobbie.
  3. Os modelos de motor a elástico são simples na sua preparação para o voo e manuseio, não oferecem riscos tais como os modelos motorizados elétricos ou a combustão, também não exigem que baterias sejam carregadas, guardadas com cuidado, etc. De forma geral a simplicidade do manuseio é uma vantagem.
  4. Outro grande atrativo dos modelos a elástico é que há muita planta disponível na internet gratuitamente. Aqui mesmo no Voo Silencioso temos um link para o site www.outerzone.co.uk com centenas de plantas.
  5. Além das plantas, há outra forma disponível que é a montagem de kits. Há uma loja especializada aqui no Brasil, a quase centenária Aerobrás e diversas lojas on-line nos Estados Unidos e na Europa. Por não serem kits caros, é perfeitamente viável a importação aqui para o Brasil.
  6. Outro aspecto que destaco nessa modalidade é a possibilidade de também caprichar na construção, fazendo réplicas de clássicos ou de modelos icônicos da aviação.
  7. Um aspecto importante para quem não dispõe de muito espaço é que os modelos a elástico ocupam pouco espaço para guardar e exigem pouco espaço para montagem. Basta uma prancha de madeira onde se possa prender a planta e está feita a bancada.
  8. E por fim, talvez esta seja a vertente do aeromodelismo mais barata.

 

Observaçao:

As informações que seguem abaixo são algumas dicas e orientações, tendo em vista as dificuldades que econtrei para iniciar nessa modalidade aqui no Brasil.

Ainda sou um iniciante nos modelos a elástico, portanto as dicas aqui presentes darão uma noção geral para quem deseja começar. O assunto é vasto e complexo, e você poderá encontrar informações valiosas e aprender muito mais em livros, sites especializados e foruns na internet.

 

Os Modelos

Para lhe servir de inspiração veja as imagens abaixo de lindos modelos e veja os vídeos de alguns outros em voo. Observe que é uma construção precisa e de ajustes finos para se conseguir um bom desempenho. Portanto, apesar de serem meros e modelos a elástico, talvez para alguns, coisa de criança, na verdade trata-se de trabalho com apuro na construção e paciencia e conhecimento na triamagem.

 

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Foto: Easy BuiltModels

(https://easybuiltmodels.com)

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Foto: Easy Built Models

(https://easybuiltmodels.com)

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

Como começar?

Quando comecei, a maior dificuldade foi onde obter informações e material. As informações estão espalhadas por fóruns e sites, exigindo assim um enorme trabalho de se encontrar e reunir tudo que se deseja saber. Ou seja, não encontrei um site com todas as informações organizadas e voltado para a realidade brasileira. Tentarei aqui preencher essa lacuna.

Outra pergunta que nos fazemos ao iniciar é: Qual um bom modelo para começar? Essas questões e mais algumas tentarei esclarecer aqui, pois foi com muita pesquisa, tentativa e erro que consegui chegar a ser um iniciante, e é nessa condição que disponibilizo as informações para quem deseja também começar nesse mundo incrível dos modelos a elástico.

Onde obter o material?

De maneira geral, a Casa Aerobrás, que é especializada no assunto, tem todo o material que se necessita.

Eles não vendem mais por reembolso postal, e a página internet também não dispõe de uma loja on-line, então a forma de comprar a distância é enviando um e-mail informando o que se deseja. A caixa postal é: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Por sua vez a página na web é: http://www.casaaerobras.com.br/index.htm . Trata-se de um site bem modesto, sem muita informação, na verdade a gama de produtos deles é bem maior do que mostra a página, portanto peça que lhe enviem um catálogo em papel.

Que modelo construir?

Na Casa Aerobrás há excelentes modelos para se iniciar. Comece com um modelo básico, por exemplo, o Escolar II, que dá pouco trabalho para construir e tem um voo razoável. Apesar de um modelo como esse não proporcionar um voo longo, ele será importante para que você faça o primeiro contato com os materiais, como lançar, como armazenar o elástico, entre tantas outras coisas.

Há também plantas de modelos semelhantes ao Escolar II na internet e que você pode construir a partir da planta facilmente.

 

Madeira Balsa e kits para montagem.

Você poderá escolher montar modelos a partir de plantas e para isso irá necessitar de boa madeira balsa. Há no Brasil diversos fornecedores para isso. Procure na internet e será fácil encontrar. Porém, se desejar montar kits de modelos, a única opção nacional é mais uma vez a Casa Aerobrás. Eles têm bons kits, tão bons quantos os importados e com a experiência você poderá melhorá-los em desempenho e resistência.

 

A Entelagem

Há modelos todo em balsa, utilizando chapas para fazer as asas e os estabilizadores, mas também a maioria dos modelos são entelados com papel de seda apropriado. A entelagem é um aspecto importante da construção e acabamento dos modelos, ela proporciona reforço estrutural e leveza na construção.

Um aspecto importante, que não deve ser desprezado, é a correta aplicação do dope. Ele protege o papel de rasgos, do efeito do lubrificante que se solta da mecha de elástico e das mãos do aeromodelista quando manuseia o modelo ao enrolar o motor. Por isso, após aplicar o papel, aplique de 3 a 4 demãos de dope.

Para a entelagem, proceda da seguinte forma: corte as partes do papel adequadas a cada parte da estrutura e vá entelando parte a parte. Por exemplo, corte o papel no tamanho adequado para entelar a parte de baixo da asa esquerda, feito isso, entele a parte de cima dessa asa e assim por diante.

A parte brilhante do papel deve ser ficar para fora, ou seja, é a parte onde será aplicado o dope.

Há várias formas de colar o papel à estrutura, eu utilizo a cola em bastão, qualquer marca de cola serve. Aplique a cola ao longo da borda da estrutura e vá aplicando o papel o mais esticado possível.

Colado o papel, borrife uma mistura de 50% de água e 50% de álcool. Faça isso utilizando um borrifador manual. Mantenha uma boa distancia do borrifador à peça de forma que as menores gotas atinjam o papel. Após secar o papel irá esticar. Nesse momento é necessário ter a peça presa por alfinetes em uma superfície plana de forma que quando o papel secar e esticar não empene a peça a ser entelada. Após o papel secar aplique o dope diluído na proporção de 50% dope, 50% thinner. O tempo entre uma demão e outra pode ser de 40 minutos aproximadamente.

O dope tem uma particularidade na aplicação, se o dia estiver muito úmido a água presente no ar deixa o papel com aspecto esbranquiçado ao secar. Portanto, tente aplicar as demãos em dias mais secos. Dias chuvosos, muito úmidos, não são adequados, o acabamento não ficará bom.

Percebo que a entelagem é um assunto quase místico, uns preferem um espaçamento de 48 horas entre cada demão de dope, outros acrescentam uma gota de óleo de rícino no dope diluído; dizem que deixa o papel com aspecto mais brilhante. Outros ainda deixam o recipiente com o dope diluído repousando sobre espuma enquanto aplicam, e por aí vai. Vá experimentando, somente a sua prática vai dizer o que fazer ou não.

Experimentei muitos dissabores com estruturas empenadas após a entelagem. O voo dos modelos a elástico são muito sensíveis a qualquer empeno da estrutura, pois produzem efeitos indesejáveis no voo quase impossíveis de serem corrigidos, por isso dedique esforço para reforçar a estrutura e mantê-la presa para o papel secar e esticar, assim como também após a aplicação do dope. Uma estrutura empenada é quase impossível de ser consertada, somente refazendo a entelagem mesmo.

 

Papel para Entelagem e Dope.

A Casa Aerobrás dispõe de papel de boa qualidade, assim como dope necessário para a entelagem. Comprei dope de outros fornecedores aqui no Brasil, mas a qualidade não é a mesma.

Porém, se você for comprar elásticos importando de uma das lojas on-line, vale a pena comprar também papel para entelagem e um enrolador manual para enrolar o motor. São itens baratos e que valem a pena.

 

O tipo de thinner. O tipo de thinner para diluir o dope também foi um ponto de dificuldade quando comecei. Inicialmente utilizei o tipo comum, encontrável em qualquer loja de tintas. Verifiquei que esse causava o esbranquecimento do papel muito mais fácil. Achei mais adequado utilizar o chamado thinner forte, na verdade procure o thinner a base de nitrocelulose.

 

A Hélice

Se você estiver montado um kit, provavelmente a hélice já faça parte dele. Porém, se for a construção a partir de uma planta, você terá que adquirir ou construir uma hélice. O tamanho da hélice é em geral 1/3 da envergadura do modelo. Você poderá construir sua própria hélice a partir de materiais facilmente encontráveis.

 

UM CAPÍTULO A PARTE - O ELÁSTICO

Obviamente que depois do modelo em si, o elástico é o fator mais importante. A sua guarda, manuseio, escolha do tamanho do motor, entre outros fatores são importantes fatores para o sucesso do voo.

Os elásticos de qualidade somente estão disponíveis no exterior. Não existe aqui no Brasil elásticos com bom desempenho. Mesmo assim se desejar comprar aqui no Brasil, compre na Casa Aerobrás.

Segue aqui os links para algumas lojas on-line nos Estados Unidos onde é possível encontrar elásticos de excelente qualidade e em todos os tamanhos. Além disso, há papel, colas, hélices e kits de modelos:

https://easybuiltmodels.com , http://www.samsmodels.com/index.php , http://volareproducts.com/?page_id=1686http://brodak.com/building-supplies/rubber-bands.html

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Alguns dos tipos mais comuns de elásticos à venda

 

Manuseio do elástico?

Há dois aspectos principais e que não devem ser deixados por menos em e relação ao elástico. Primeiro é sua guarda. É importantíssimo guardá-lo de forma adequada para que não resseque. O principal fator que ataca e reduz drasticamente a vida do elástico é a luz ultravioleta. Portanto acondicione o elástico em uma lata, por exemplo, abrigada do sol e do calor.

 

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Lata para guardar os elásticos lubrificados dentro de sacos.

 

Guardar os elásticos dentro de pequenos sacos plásticos, como na figura acima, permite mantê-los lubrificados. Coloque uma pequena quantidade de glicerina líquida dentro do saquinho e permita que o elástico permaneça sempre em contato com o lubrificante.

O segundo fator é a lubrificação, jamais enrole um motor sem lubrificá-lo antes. Não vai funcionar, o elástico irá quebrar facilmente e por outro lado você não estará utilizando toda a potência disponível.

Tive muitas dificuldades com relação a que lubrificante utilizar. Não encontrei informações aqui no Brasil e nos sites dos Estados Unidos eles citam produtos específicos para isso ou outros que não encontramos aqui. Por fim, consegui entender que o mais adequado é a glicerina liquida. É facilmente encontrável em qualquer farmácia e bem barato. Na verdade esse é um lubrificante básico que pode ser melhorado com o aditivo de outros produtos na sua composição ou pode-se usar um produto importado especifico para essa aplicação, como falei acima, mas a glicerina liquida já é o suficiente para começar. De forma alguma utiliza a vaselina, pois irá ressecar o elástico rapidamente. A vaselina é feita a base de petróleo e ressaca o elástico, não sendo, portanto adequada.

 

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Glicerina líquida

 

É importante amaciar o elástico antes de começar a utilizá-lo.

Esse passo é muito importante, pois dará ao elástico mais vida útil, maciez e você poderá dispor de toda a potência disponível na mecha. Aqui vai a regra indicada por Don Ross no seu famoso livro: Rubber Powered Model Airplanes. Sendo possível, adquira esse livro, uma verdadeira bíblia sobre o tema.

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Veja como se faz: Estique o elástico a 3 vezes o seu tamanho e mantenha-o esticado por 2 minutos. Após esse tempo deixe o elástico descansar por 10 a 15 minutos. Após o descanso, estique o elástico novamente de 4 a 5 vezes o tamanho por 4 minutos. Durante todo o processo acima descrito, vá lubrificando o elástico.

 

O nó a ser dado no elástico é uma simples laçada. Você poderá reforçá-la com uma gota de cola tipo CA. Veja as figuras no artigo disponível clicando aqui.

  

O tamanho do motor e que tipo de elástico utilizar. Esse é um outro grande problema que somente experimentando o modelista vai acertar. Há diversas regras citadas em livros, etc. Mas para mim o que funcionou mesmo foi a experimentação. Uma regra básica diz que o motor deve ter no máximo 25% do peso do modelo. A partir daí já é um bom começo. Outra regra fala em um loop duas vezes o tamanho da distância da hélice ao suporte do elástico na parte de trás do modelo.

A regra geral para o tipo de elástico é que quanto mais espessa a seção transversal mais potência será disponível.  Porém um motor mais longo, para a mesma  secção transversal, terá menos potência.

Quantas voltas são necessárias enrolar o motor. Comece com algo em torno de 300 voltas. Isso é suficiente para os voos e trimagens iniciais. A partir daí vá com paciência e incremente em torno de 200 voltas por vez. O limite é sentir o elástico endurecer, depois desse ponto não vale a pena forçar mais. Se desejar um voo mais longo ou mais alto experimente outro tipo e tamanho de elástico.

 

Enrolador do motor

É imprescindível se ter um enrolador do motor. É impraticável enrolar o elástico manualmente. Uma forma de fazer um enrolador, se não for possível importar um é utilizando uma furadeira manual com um gancho no lugar da broca.

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Enrolador mais comum no mercado. A relação é de 1 para 10 (a cada volta da manivela, o gancho gira 10 vezes)

 

Suporte de Campo

É importante fazer um suporte para enrolar o motor em campo. O uso desse suporte evita que alguém segure o modelo e inadvertidamente solte ou force uma parte mais frágil, vindo a danificar o fruto de tanto esforço do aeromodelista. Veja na figura um exemplo de suporte.

Para que o suporte funcione é necessário que a pequena travessa que segura o elástico na parte de trás do modelo seja um tubo por onde passa o arame de suporte. Veja na figura.

 Como funciona? Esse modelo que aparece na figura abaixo e que fiz funciona assim: Enterro um tubo de 3/4 de polegada no solo e na ponta do tubo vai encaixada a peça de PVC que existe na base do suporte (na foto, a peça branca). Em seguida fixo no solo os dois pinos grandes que aparecem ao lado do suporte na foto e neles amarro os estais brancos. Isso fixa deixa o suporte fixo. O suporte tem furos na sua lateral por onde passo uma peça de arame (que aparece na foto amarrada por um barbante branco e transpassada em dois furos), essa peça de arame passa por dentro do pequeno tubo na parte de trás do modelo onde se fixa o motor de elástico. Isso permite que se enrole o motor com segurança, sem o perigo do modelo se soltar.

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Suporte De Campo

 

Veja nesse link o uso de um suporte: https://flyhaffa.com/model-aircraft-of-the-month/mike-bastas-souper-p-30/

 

 

A trimagem do modelo e o voo. É preciso paciência nessa hora. Claro que o que você mais deseja após tanto trabalho é voar seu modelo, mas tenha paciência para fazer uma trimagem adequada, como também escolher um dia ou hora do dia de pouco vento. Escolha um local com grama ou outro tipo de vegetação que possa amortecer as quedas ou aterrissagens desastradas nessa fase de ajustes.

 Basicamente o método se resume a:

1º Ajustar o centro de gravidade. Em geral o centro de gravidade está a 1/3 do bordo de ataque da asa. Mas veja na planta do modelo ou nas instruções a localizaçao exata;

2º Estando o centro de gravidade no local correto, ao lançar o modelo a frente, de preferência num dia calmo, com pouco ou nenhum vento, o modelo deve descrever uma trajetória de planeio. Se isso nao acontecer, deve existir alguma divergência no ângulo de incidência da asa (veja abaixo a definição).

* O lançamento deve ser feito com força média, não para cima nem tampouco apontado para baixo, tente lançar num plano na altura de seus ombros. Tente várias vezes, pode ser que o problema seja no lançamento e o modelo não faça um voo adequado.

* Ângulo de incidência - pode ser entendido, para nossos propósitos aqui, como o ângulo entre a corda da asa e o plano do estabilizador horizontal.

 

Vejamos as possibilidades:

  1. Se o modelo descreve uma subida rápida ao ser lançado e cai abruptamente, a asa está com o ângulo de incidência grande, o que faz com que ela perca sustentação e o modelo cai abruptamente.
  2. Se o modelo nao faz uma trajetoria de planeio e cai rapidamente ao ser lançando, o ângulo de incidência está pequeno.

Como corrigir: Dependendo do modelo, você poderá colocar um pequeno calço na asa (no apoio da asa na fuselagem, no bordo de ataque ou no de fuga, dependendo se é o caso 1 ou 2 acima descrito). Outros modelos você poderá fazer a correção no ângulo do estabilizador horizontal.

3º Trimagem do bloco de nariz do modelo. Estando o modelo trimado para o planeio, pode ser necessário um ajuste no bloco onde a hélice está apoiada e que encaixa na parte da frente da fuselagem. Se esse bloco estiver com algum desajuste a hélice poderá tracionar o modelo  para cima, por exemplo, ou para um lado.

Como corrigir: Dê poucas voltas no elástico e lançe o modelo para verificar o comportamento, se necessário coloque um pequeno calço de papel ou outro material de forma a corrigir o ângulo.

 

Veja o resumo do que foi dito na figura abaixo. Os modelos da Aerobrás vem com dicas semelhantes nas instruções.

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SUGESTÃO DE LINKS

Tudo que foi dito aqui e muito, muito mais, você encontra nos sites sugeridos abaixo:

 

http://www.e-voo.com/viewforum.php?f=13&sid=098de6ca63bfad0ce5ed3d98d17e457d

https://flyhaffa.com/

http://scienceguyorg.blogspot.com/

http://freeflight.bmfa.org/

http://www.endlesslift.com/

Bons voos!

 

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