Histórias e "causos" que aconteceram com a turma do Voo Silencioso

"Aeromodelo com Controle"

Avaliação do Usuário

Já faz algum tempo (+- agosto/2009), mas gostaria de eternizar aqui no blog o desaparecimento do finado Oriole “modelo pronto” que trazido do Paraguai pelo, hoje, nosso companheiro de voo Mair, teve seus dias contados e comprometidos por um dia de muita térmica.

O Oriole possui apenas 2 canais (acelerador e leme motorizado), 108cm de asa e que somente faz curvas regulando a potência dos dois motores que possui em cada asa. Ou seja, avião sem profundor algum desce como?? Ah fácil essa resposta… quando o vento acabar, certo? Escuta só essa então…

O Mair novo no hobby chegou com a seguinte missão para que nós o ajudássemos a aprender voar seu Oriole. O pessoal da turma do Voosilencioso sempre muito solícito encarou o desafio e foi ai que como num passe de mágicas lá estava o avião no ar, na encosta do Morro da Capelinha – Planaltina/DF (local bastante alto, com boas térmicas e propício ao voo de encosta).

Eis que eu, Alessandro, que tinha colocado o avião no ar… entreguei o controle do mesmo ao Mair para que aprendesse a voar e num é que ele já parecia conhecer bem do hobby. Voou bacana, fazia as curvas direitinho… só tinha um probleminha… a cada curva o avião subia um pouco mais! Pronto! Quando me deparei com a atual altura do “modelo” era tarde demais para pegar o controle de volta… ele havia entrado dentro de uma térmica gigante e nada mais o fazia descer… ele estava bem trimado e a tendência era só subir e subir… Rapaz esses 108cm desse avião foram virando somente um pequeno ponto no céu até desaparecer completamente de nossas vistas… agora pense?? Como ficou minha cara? O que eu ia dizer pro dono? Eh dizer nada! Todos vimos diante de nossos olhos o avião simplesmente desaparecer…

Resultado: Nunca mais tivemos notícias do finado Oriole que com sorte deve estar num lugar especial no céu dos aviões… Eu e Mair, sem mágoas, hoje voamos juntos… na verdade o Mair parece ter ficado meio traumatizado pois hoje é mais construtor do que piloto. Hehh. Fica a lição… “modelo” sem profundor somente serve para o descrevermos entre aspas e nunca para voar do alto de um morro!

DSC00939 Oriole Mair
Iago, Mair, Harlan, Alessandro

Desenho: Hérika Rodrigues

 

Um clamor ao sol

Avaliação do Usuário

sol chuva moca

 

Por Josenilson Veras

Eu não suspeitava que cantar a chuva com entusiasmo e esmero tivesse tanto poder. Após meses de implacável secura no ar, grama queimada, monumentais incêndios no cerrado, achei que saudar a chuva era o mínimo a se fazer para agradecer tamanha benção.

Pois parece que fiz mal. O céu zangou-se e toda a chuva guardada para o verão está sendo despejada agora. Os ajudantes de São Pedro, responsáveis por manobrar as torneiras celestes, não gostam mesmo de tantos pedidos, exclamações e tentativas de intervenções em seus santos afazeres. Um aqui na Terra exorta: “Venha a chuva molhar os campos, aplacar a poeira, umedecer o ar”, outro diz: “nunca se viu um mês de novembro tão chuvoso! Aqui comprovam as estatísticas, as medições pluviométricas, os sites de previsão do tempo. Que cesse tamanho aguaceiro ou voltaremos a condição de anfíbios ”. Com tanto puxa-e-encolhe, zangaram-se os anjos!

Que venham em nosso socorro os ventos nordeste, aqueles soprados do atlântico oceano, que nos trazem até o Planalto Central o dia claro. Aqueles que empurram para longe o rio aéreo que nos despeja nas cabeças as águas sugadas na Amazônia e na Cordilheira dos Andes! Que nossas lembranças do sol inclemente sobre os desertos africanos, desabotoem o peito das grossas nuvens deixando passar a luz vital e alegre, a luz que faz uma manhã parecer o primeiro dia após o dilúvio. O sol que esquenta o chão, descola as termais, desembolora nossos papeis guardados, nossos fundos de gavetas!

Digo tudo isso com clamor e respeito! Não se aborreçam operários celestes! A harmonia é a chave da felicidade e da eternidade do universo. Então, vamos pelo caminho do equilíbrio? Façam como um bom cozinheiro que equilibra os temperos! Nada nesse mundo é sem jeito! Desculpem nossa condição humana: inconstante, ansiosa, sempre a implorar. Vamos lá, São Pedro, apelo para um atributo próprio de quem é santo: o perdão!

Assim, inspirado nos motivos apresentados por meus caros amigos (a saber: a pureza da moça ao sol mostrada acima deste texto e uma alegoria do próprio sol), faço aqui minha mea culpa e espero ser atendido. Então peço que reine o sol entre nuvens, que soprem os ventos nordeste e assim o típico verão brasileiro se apresente! Deixai de timidez, deus Hélios. Tu que fostes soberano de tantos faraós e civilizações antigas, reina e em paz com a chuva!

A chuva

Avaliação do Usuário

chuva 255-Aviao -20 11 2011

 

Por Josenilson Veras

Ouvir a chuva, seu barulho. Barulho que só chuva faz. Sentir o cheiro que ela despertada na terra aquecida e desejosa de água. A sua presença sempre me leva a pensar em bonança, em riqueza brotada da terra com generosidade e sempre me leva a agradecer.

Agradeço e penso com um pouco de culpa no mal que fazemos a nosso tão delicado planeta azul. Nessa esfera em que vivemos, um pequeno, frágil e caprichoso equilíbrio natural nos permite a vida em sua superfície. Não conseguiríamos sobreviver nem muito abaixo nem muito acima dessa pequena porção de sua massa que é como uma pele. E nós que nos sentimos os tais, a ponto de provocar radicais mudanças nesse ambiente.

Pois tudo isso a presença da chuva me traz: alegria, culpa, melancolia e sempre um quê de agradecimento pela sua presença bem vinda. Para mim, que sou sertanejo, e a chuva um artigo de luxo, impressiona-me a pontualidade da estação chuvosa aqui no Brasil Central. No sertão não temos isso. Tem anos que chove e outros que não. Nunca é certeza a presença dessa senhora benfazeja e solidária.

Sei que ela tem sua face ruim, como tudo na natureza e na vida. Desde uma inconveniente goteira em casa até a mais triste inundação. Mas não olhemos esse lado. Pela sua riqueza e alegria em nos molhar, ela mais merece nosso beijo que nossa cara feia.

Lembro a alegria de quando menino, no sertão, em tempo quente, a chuva chegava de repente e mudava a face do mundo! Lembro dos banhos de chuva, meninos nus, divertindo-se nas bicas do quintal de casa. Não faz muito, em visita a casa de meus pais, vi meu pai, aos oitenta e tantos anos, fazer isso com imensa alegria... mas vestido!

Percebo também que ela tem vários coadjuvantes no seu show: A brisa gostosa que às vezes a antecede, o barulhinho no telhado, o seu cheiro e, muita vezes, para a coisa toda ficar apoteótica, o arco-íris! Não tem como não gostar da chuva tropical, desse espetáculo formado a partir de sol, umidade e água em abundância.

Informações Adicionais