Histórias e "causos" que aconteceram com a turma do Voo Silencioso

Descobrindo a Pedra Fundamental

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Por volta do ano de 1978 eu já estava morando em Brasília e voava na pista perto de Sobradinho. Ninguém falava de voo de encosta. Foi quando meu irmão Cezar Motta, indo a Brasília, me falou que conhecia a Pedra e que achava um bom local para voos de planadores.

Comecei a frequentar a Pedra e fomos juntando outros fanáticos. Nunca fomos muitos, mas acho que juntamos uns dez, talvez. Havia um diplomata da Embaixada Britânica que quando viu o local ficou alucinado, correndo e querendo voar ele mesmo. Era o Michael, que simpaticamente se apresentava como Miguel.

Não havia motor elétrico, mas voávamos de encosta e térmica. Até hoje voo com meu Graupner Cumulus 280  que estreei em 1977 ai na Pedra.

Digitalizei mais de 100 fotos em papel, feitas na década de 80.

Vou anexando à medida que escrevo outros episódios.

Infelizmente não lembro de todos os nomes dos aeromodelistas.

 

Abraço

Fernando Motta

A super térmica

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               Para mim, uma das coisas fascinantes do aeromodelismo é que em cada voo podemos aprender algo, tirar uma lição. Em se falando de planadores, temos um grau maior de dificuldade para pilotagem e acerto do modelo, o que torna seus voos ainda mais desafiantes e ricos em oportunidades de aprendizado.

               Porém, o que me levou a escrever essa crônica foi uma super térmica que eu e meu amigo Alessandro tivemos o prazer de voar com nossos modelos EasyGlider. Vivemos um verão bastante quente esse ano e é tanto que o baixo nível das chuvas já começa a preocupar a todos. Em razão desse fenômeno temos vivido dias de fortes térmicas. Não está nada difícil conseguir encaixar em uma boa termal depois de subir em torno de 50 a 60 metros e ficar por lá um bom tempo.

               Estávamos voando no Morro da Capelinha. Decolamos os modelos e já demos de cara com uma ascendente forte e espalhada. Começamos a girar em torno do seu ponto central e subimos muito rapidamente. Quanto mais subíamos mais a térmica se tornava maior em extensão. Era possível deslocar-se para bem longe do ponto onde estávamos e mesmo assim continuávamos a subir. Nos pontos próximos do centro dessa coluna havia muita turbulência; daquelas que facilmente viram o modelo de dorso ou o colocam em atitude na qual você tem a nítida sensação que está sem controle. Em alguns momentos pensávamos que havia algo errado com o rádio ou com o planador mesmo, pois tomavam atitudes sozinhos.

               Ficamos voando aquela térmica por um bom tempo, já a quase perder de vista nossos aeromodelos de tão altos. Em determinado momento tive a impressão que o meu modelo entrou na nuvem que estava acima de nós e não consegui mais vê-lo. Aquilo durou uma eternidade

               Já com mais medo que prazer, por voar tão alto, começamos a nos esforçar para descer, ou seja, ironicamente fazer o contrario do que lutamos o tempo todo para conseguir.

               De minha parte, tentei tudo que sabia. Abri a mixagem butterfly e nada. Fiquei glissando por um bom tempo, nada. Trimei um pouco picado e também não adiantou muita coisa. O Alessandro voava de dorso e também não estava surtindo efeito. Há meses atrás eu já havia perdido uma asa voadora Alula em uma gigante dessas. Será que seria o segundo modelo que eu iria perder para uma termal? Enfim, com muito custo e mergulhos desesperados, começamos a descer um pouco.

               Meu modelo se encontrava a uns 50 metros acima da minha cabeça quando começou a ser sacudido por uma forte corrente ascendente. Mais uma vez eu tinha a impressão que não controlava o planador. Em uma dessas sacudidas violentas caiu de lado e uma das asas soltou-se da baioneta. Em seguida a outra asa se soltou da fuselagem e o modelo começou a descer tal qual um paraquedas, sustentado apenas pelas duas asas que giravam no ar presas pelos fios dos servos de aileron e flapes. Após um tempo as asas se desprenderam definitivamente e caiu a fuselagem para um lado e as asas para outro. Com o impacto no chão o estrago na fuselagem foi grande. Porém, nada que um pouco de cola e paciência não resolvam. Em breve o modelo estará voando novamente. Essa é uma das vantagens da construção em EPO, EPP, ELAPOR, ou semelhantes.

Vamos então as lições tiradas desse episódio:

1 – Meu modelo estava com a bateria solta na fuselagem, pois achei que seria um voo calmo na encosta. Isso limitou minhas manobras para sair da termal e me fez voar com mais receio, o que não é bom numa situação já complicada. Lição 1: gaste tempo na bancada, mas mantenha seu modelo sem nada solto ou em funcionamento provisório.

2 – Os modelos fabricados em Elapor, EPP, EPO, ou semelhantes, com o tempo vão perdendo a força no encaixe das asas e outras partes que só dependem da força do encaixe desses materiais para se manterem no lugar. No caso do EasyGlider e EasyStar apenas o ajuste das duas asas entre si e na fuselagem pela força do Elapor as mantém presas. Esse problema já foi resolvido nos modelos mais recentes da Multiplex e de outros fabricantes – como no caso do Bixler – com o uso de uma peça em plástico para segurar as asas. O meu modelo como começou a voar em 2010 e já está bem gasto, tem essa junção comprometidos. Até utilizei velcro para reforçar, mas não resolve. Lição 2: gaste tempo na bancada mas mantenha seu modelo sem nada solto ou em funcionamento provisório!

Aeromeliante

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Costuma agir em voos de finais de tarde em colinas ou morros e que mesmo sem necessidade da propulsão a motor elétrico é lançado ao vento e a própria sorte ou azar de quem o encontrar pela frente.

Foi assim com o sumidíssimo Capelinha que armava seu novo parapente para o segundo voo solo do dia. Coincidentemente era o segundo domingo de fevereiro de 2014 e lá estava ele todo contente com o sucesso do primeiro voo e foi então que sua alegria caiu por terra, pois o aeromeliante resolveu pousar com seu motor e hélice sobre o velame do parapente (ainda no chão, felizmente), adiando por mais longa data aquela vontade louca que estava o Capelinha de voar.

Assim sendo, os amigos do voo lançaram a campanha para encontrar o aeromeliante assim como visto na figura acima. Num é que o resultado veio de imediato, assim como mostrado na figura abaixo.

encontrado01

Pedidos de desculpas a parte o aeromeliante, facultado na figura do piloto, vulgo Caio Homem,  foi "chacotiado", "boolingnado" durante todo resto de tarde pelos amigos do voo.

Torcemos pela recuperação breve do parapente e que o aeromeliante não venha a fazer novas vítimas mais tão cedo!

Por: Alessandro Santos
Em: 12/02/2014

 

 

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