Histórias e "causos" que aconteceram com a turma do Voo Silencioso

Como tudo se renova...

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A FÁBRICA QUE ELA MESMA TEIMOSAMENTE SE FABRICA

Brasília, agosto de 2006.

A frase que dá título a este texto faz parte do poema Vida e Morte Severina, de autoria do grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. No final da obra prima o poeta descreve o momento em que o Sertanejo, protagonista do drama, conversa com o Mestre Carpina. Nesse instante as mulheres vêm avisar ao sertanejo que o seu filho nasceu! Filho da pobreza, filho da miséria. Nascido em meio à pobreza e à miséria de uma favela plantada num mangue as margens do Capibaribe. Porém, era a vida que renascia, era a vida que teimosamente se fabricava. Mostrando assim sua magia, sua teimosia, sua premência em se renovar e trazendo com o próprio fato da vida em si a lição de eterna renovação.

 

Assim acontece também no vôo a vela rádio controlado. Quando comecei a praticar esse hobby encontrei uma pequena turma de entusiastas aqui em Brasília. O pessoal já era remanescente de um outro grupo (desse primeiro grupo só sei do Cláudio Blois como componente.). Nessa época voava o Haroldinho Matos, o Francisco, o Paulo Perez (este ainda hoje voa, pois não se curou do vírus), o Carlão, o William Paixão e tantos mais que se reuniam todos os finais de semana na Pedra Fundamental, a Meca dos apaixonados por planadores rádio controlados aqui neste cerrado. Aprendi a voar com o Paulinho e o Francisco. Quebrei muitos planadores, todos eles muito mais rápidos do que meus pobres reflexos. Ainda bem que o Francisco inventou os planadores feitos de isopor, pois eram mais lentos e não quebravam tão fácilmente como os kits de madeira balsa. Assim foi meu primeiro contato com essa que viria a ser minha paixão.

Com o passar dos anos foi chegando mais gente, enquanto outros foram parando de voar. Foi a vez de chegar o Zevang, Edgar Dias, Cláudio Frate, Junior Rabelo e outros pilotos menos assíduos nas encostas. Dessa fase, foram marcantes os assaltos que aconteceram na Pedra Fundamental. Uma coisa triste. O Junior foi vitima de um deles. Nessa fase também apareceram as asas voadoras, chamadas de Zagi. Foi uma febre que trouxe muita gente do glow para os planadores. Porém, esse pessoal não era apaixonado pela modalidade, eram mais entusiastas das Zagis e suas manobras radicais. Não estavam contaminados pelo vôo silencioso, pelas térmicas, pelo contato com a natureza e tantos outros elementos próprios do vôo de planadores. Assim, pelo temor dos assaltos e outros motivos, cada qual com o seu, a turma foi se desfazendo.

Passei a voar sozinho. Não foram poucos os domingos que voei sozinho nas encostas da Pedra Fundamental. Às vezes o Junior aparecia, em outras o Zevang ou o Francisco. O Paulinho nunca deixou de ir durante todo esse tempo, bem no ritmo dele, esporádico, um ritmo que tem tudo de baiano, mas não é.

Resolvemos mudar de local, principalmente pelo fator segurança. Escolhemos o Morro da Capelinha. Somente voávamos na Capelinha em último caso, pois é muito dificil de pousar naquele topo de morro. Mas naquele momento não havia alternativa. Talvez por isso, e também por termos publicado no site a forma de ser fazer um planador barato, todo em isopor, a turma mais uma vez se renova. É a magia da vida. Agora é uma outra turma. Da velha guarda só eu, o Paulinho e o Junior, que pertence à turma intermediária.

Os finais de semana agora são mais movimentados, com mais vôos e mais amigos do vôo silencioso. Os componentes deste sangue novo são o Matte, Bian, Alessandro, Anderson, Hérika, Patrício e o André. Esqueci alguém? Por favor, me desculpem, afinal sou dos primórdios desse negócio, da pré-história dos planadores!

Um capítulo a parte nesta história é a participação das mulheres. A primeira que conheci voando foi a Consuelo, esposa do Haroldinho. As outras esposas e namoradas até freqüentavam o morro uma vez ou outra, mas nunca voaram. Ultimamente temos uma fotografa-piloto-resgate que é a Hérika, namorada do Alessandro.

Vamos lá meninas, descubram o prazer de voar planadores, sai mais barato que terapia!

Por Josenilson

Um churrasco em dia de vento turbulento

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UM CHURRASCO EM DIA DE VENTO TURBULENTO

De novembro a março é época de muita chuva aqui no Planalto Central. Dessa forma, fica difícil conseguir um fim-de-semana sem chuva,  com vento alinhado e todas as outras condições que permitam um vôozinho. Portanto, assim que São Pedro dá uma folguinha a turma se apressa em tirar o mofo dos planadores e correr para o morro.

Sábado passado, logo cedo, o Edgar ligou todo animado com a idéia de fazer um churrasco na encosta, e voar um pouco, que é o mais importante.

Fiquei encarregado de ligar para toda a turma. E enquanto cumpria minha tarefa, pensei: "Hoje vai da quorum. Pois somando esse solzinho, um churrasco e o vento alinhado na encosta!". Pois bem, "El comandante" Edgar passou aqui em casa, pegamos a tralha e fomos embora. Chegando lá, avistamos de longe a potente Caravan do Carlão estacionada debaixo da árvore. Tiramos as coisa do carro, acendemos o fogo, e logo a carne estava assando. O Edgar e o Carlão montaram as máquinas silenciosas e já estavam voando. Eu tratei de fazer uns reparos num Bonanza que fiz todo em isopor e dá uma olhada na carne para não queimar.

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