A Peleja do aeromodelista

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 20170619 102403               Se você ainda não é um aeromodelista, saiba que existe uma luta contínua desse praticante do hobby contra vários fatores que insistem em impedir que o coitado pratique seu tão amado passatempo.

               Frequentemente há alguém reclamando da esposa, da mãe, de quem quer que seja que o tentou impedir a ida para o campo justamente naquele dia em que as condições estavam mais favoráveis para os voos. Parece até que todas as famílias combinam, numa assembleia secreta, que irão perseguir os amantes do voo de modelos de aviões. É um assunto sério, pois a organização secreta funciona de forma bastante eficiente. Haja vista a frequência de intervenções.

               Um reclama: “Eu já estava com todo o equipamento no carro, quando minha mãe pediu que eu fosse ao supermercado.”, diz o outro: “Eu só tinha a quarta-feira à noite para consertar meu modelo após o acidente ocorrido na semana passada, mas meu pai lembrou-me que havíamos combinado de ir ao ensaio do coro da igreja”. Assim, de forma marota, quase inocente, pontuando as suas intervenções com eventos corriqueiros, essa secreta entidade vai tentando impedir a prática do nosso hobby.

               Estudos recentes revelaram que as esposas são as vilãs quem compõe a cúpula dessa organização mundial extremamente eficiente. Fato esse bastante preocupante.

               Dias atrás, eu mesmo presenciei um ataque violento e eficiente contra um de nós. Foi penoso, não fosse uma outra característica nobre de nossa trupe: a solidariedade. O fato foi que no último domingo nosso JR Menotti havia acordado sonhando com o vento na encosta do Morro da Capelinha, aquele vento alinhado e forte. Em sua onírica visão já experimentava as forte térmicas tão logo seu modelo deixasse a encosta. O dia seria maravilhoso. Ainda mais que no sábado nosso amigo havia trabalhado duro e o domingo seria de merecida folga e lindos voos. Então assim, logo cedo, nosso animado voador distribuiu mensagens pelos fóruns convidando a todos a partilharem tamanha alegria.

               Queridos amigos, aqueles convites contagiaram a turma, pois o JR tem o poder de agregar, tem um carisma natural, é gente boa, brincalhão, engraçado e por aí vai.

            Mas, meus caros, triste foi a cena que presenciamos. Após duas horas de permanência de toda a turma no Morro e sem que o nosso Menotti aparecesse, já estávamos, eu e o Caio, preocupados. Eis que chega o homem, ou o que restou dele. Bermuda de cor goiaba spice, camiseta de ir à padaria e chinelo idem. Não sei bem se ele sabia onde estava. Parecia desorientado ao descer do carro. Parecia fugido, estava assustado. Olhava para os lados como se perseguido. Após nossa acolhida, aquele ser atordoado nos relatou o acontecido: a organização secreta atuou ao tomar conhecimento de seus planos. Naquela manhã de domingo levaram-no ao supermercado para as compras da semana, vejam que violência. Não bastasse isso, desligaram seu carregador de baterias da tomada e ligaram em seu lugar uma singela chapinha de alisamento capilar. Pobre resto de homem. Não fosse a solidariedade dos amigos ao lhe passar os comandos do radiocontrole, ele não teria resistido vivo.

               Assim, em homenagem ao nosso JR cabe aqui um “viva” à bravura dos aeromodelistas, que por seu turno resistem ao contínuo ataque.

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